13/ 26Visto de fora
Lá fora, jornais e analistas veem a democracia em risco com Flávio
Em editorial, o britânico The Guardian escreveu: “Uma presidência de Bolsonaro seria ruim para as mulheres, os pobres e as minorias. A democracia provavelmente seria sua primeira vítima, em âmbito local.”[1] Em textos do Reino Unido, da Alemanha, da Suíça, dos EUA e da Colômbia, os temas se repetem: o indulto ao pai de Flávio[2][3], condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado[4], e o Supremo[5].
26 set. 2026 · Financial Times (Reino Unido), reportagem de Michael Pooler
Conheça os Bolsonaro: um clã tão radical quanto disfuncional. Oscilando entre o conservadorismo e o caos, eles praticam um estilo paranoico de política.[6]
30 set. 2026 · The Guardian (Reino Unido), editorial
O senador fez campanha como uma versão menos grosseira e temperamental de seu pai, mas não menos extremista.[1]
5 out. 2026 · The Economist (Reino Unido)
A principal proposta de Flávio é indultar o pai, promotor do golpe de Estado, que cumpre a pena em prisão domiciliar por causa de uma antiga ferida.[2]
5 out. 2026 · taz (Alemanha), coluna de Niklas Franzen
Restam três semanas para evitar a catástrofe que, do ponto de vista da esquerda, ameaça o país. Se isso não der certo, o Brasil pode ter pela frente anos politicamente muito sombrios.[7]
5 out. 2026 · CH Media (Suíça), análise de Klaus Ehringfeld e Fabian Hock
Para a democracia brasileira, uma vitória de Bolsonaro seria um duro baque.[3]
5 out. 2026 · Brian Winter, editor-chefe da Americas Quarterly (EUA)
…salvo uma virada surpreendente de Lula, vai permitir aos Bolsonaro não apenas voltar, mas voltar mais poderosos do que antes, com poder para levar adiante sua agenda e se vingar de inimigos, inclusive do chamado Estado profundo. A variante brasileira pode trazer o impeachment de ministros do Supremo e um expurgo na burocracia federal.[5]
out. 2026 · Financial Times (Reino Unido), editorial
Se eleito, Flávio Bolsonaro corre o risco de desencadear uma nova crise institucional caso leve adiante sua promessa de libertar o pai da prisão sem o apoio decisivo do Congresso[8]
6 out. 2026 · Andre Pagliarini, historiador da Louisiana State University (EUA), à Al Jazeera
A ironia, claro, é que o próprio Flávio foi diretamente implicado no escândalo do Banco Master de um modo que Lula não foi.[9]
8 out. 2026 · El Espectador (Colômbia), editorial, sobre a condenação do pai
As provas saltam aos olhos, para que qualquer um de boa-fé as observe e, no mínimo, duvide da idoneidade da família Bolsonaro para seguir sendo um ator político viável numa democracia que diz respeitar o império da lei.[10]
Traduções nossas, do original ou, no caso da The Economist, da republicação em espanhol. A reportagem do Financial Times foi traduzida pelo Diário do Grande ABC; o editorial do Guardian, pelo IHU-Unisinos; o do FT, pela BBC News Brasil. No caso Master, Flávio é investigado no inquérito sobre o financiamento de um filme sobre o pai[11] e nega irregularidades[9].
O padrão
O pai, o Supremo, a democracia
Quatro desses textos tratam do plano de Flávio de livrar o pai da pena, por indulto ou anistia[2][3][5][8]. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, e cumpre a pena em prisão domiciliar[4].
Para a The Economist, Bolsonaro terá aliados suficientes no Senado para os dois terços necessários ao impeachment de ministros do Supremo. A revista diz ainda que Flávio quer indultar também o irmão, Eduardo, “que vive autoexilado no Texas”[2].
O contraponto
Quem aplaudiu, quem criticou Lula
Esta página reúne jornais e analistas, não a opinião do mundo. Dois presidentes comemoraram. Donald Trump: “É uma grande vitória — apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Incrível”[12]. Javier Milei saudou a “histórica eleição diante do comunista Lula”[13]. Nos EUA, três senadores democratas acusaram o governo Trump de “uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil”[14].
Três desses jornais também criticam Lula. A The Economist escreve que “os brasileiros estão se cansando de Lula”[2]. Para o FT, a volta dos Bolsonaro se explica pelas falhas de Lula, não pelos feitos de Flávio[8]. O Guardian cita quem o ache velho demais, aos 80 anos, para um quarto mandato[1].
O voto
A decisão é aqui
No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. Menos de dois pontos separam os dois. Os jornais de fora já escreveram o que veem. Em 25 de outubro, quem decide é o eleitor brasileiro[5].
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Uma imagem com o fato principal, no formato dos stories, e o link desta página.
Referências14 fontes
- 01IHU-Unisinos (tradução do The Guardian) · Lula versus Bolsonaro: a decisão dos eleitores brasileiros afetará a todos nós. Editorial do The GuardianEditorial do Guardian de 30/9: Flávio “não menos extremista” que o pai; a democracia “provavelmente” seria a primeira vítima; a idade de Lula.(abre em nova aba)
- 02The Economist, no Infobae · El regreso de los Bolsonaro en BrasilO indulto ao pai como principal proposta, o indulto a Eduardo, os dois terços do Senado e o cansaço com Lula.(abre em nova aba)
- 03CH Media, no Bote der Urschweiz · Bolsonaro-Clan triumphiert: 5 Erkenntnisse zum Rechtsruck in BrasilienUma vitória de Bolsonaro seria um “schwerer Einschnitt” para a democracia; o indulto ao pai entre os primeiros atos.(abre em nova aba)
- 04Agência Brasil · Defesa cita novos fatos e pede revisão da condenação de BolsonaroCondenado a 27 anos e três meses “por liderar uma tentativa de golpe de Estado”; cumpre pena em prisão domiciliar.(abre em nova aba)
- 05Americas Quarterly · REACTION: Flávio Bolsonaro and Lula Advance to Brazil’s Presidential RunoffBrian Winter sobre o impeachment de ministros do Supremo e a anistia ao pai; 47,03% a 45,16% no 1º turno; 2º turno em 25 de outubro.(abre em nova aba)
- 06Diário do Grande ABC (sobre o Financial Times) · Financial Times compara os Bolsonaros à família Trump e diz que têm estilo paranoicoA reportagem do FT de 26/9: “um clã tão radical quanto disfuncional” com “um estilo paranoico de política”.(abre em nova aba)
- 07taz · Erster Gang der Präsidentschaftswahl: Brasilien drohen dunkle JahreColuna de Niklas Franzen: a catástrofe “aus linker Sicht” e os “sehr dunkle Jahre” se ela não for evitada.(abre em nova aba)
- 08BBC News Brasil, em A Gazeta (sobre o Financial Times) · Ressurgimento de Bolsonaro expõe a fraqueza de Lula, diz jornal econômico mais importante do mundoEditorial do FT: o risco de “nova crise institucional” e a volta dos Bolsonaro explicada pelas falhas de Lula.(abre em nova aba)
- 09Al Jazeera · Why Flavio Bolsonaro outperformed the polls in Brazil’s electionA frase de Andre Pagliarini sobre o Banco Master; Flávio nega irregularidades.(abre em nova aba)
- 10El Espectador · ¿Cómo leer lo que pasó en Brasil?Editorial: depois da condenação do pai, a dúvida sobre a “idoneidad de la familia Bolsonaro”.(abre em nova aba)
- 11Agência Brasil · Mendonça incluiu Flávio Bolsonaro como investigado no caso Dark HorseFlávio é investigado no inquérito sobre o financiamento do filme.(abre em nova aba)
- 12La Libre Belgique (AFP) · Présidentielle au Brésil : Donald Trump salue “une grande victoire” de Flavio BolsonaroTrump sobre o 1º turno: “une très, très grande victoire”.(abre em nova aba)
- 13Perfil · “La Libertad Avanza en Brasil”: el mensaje de Milei tras el triunfo de Flávio BolsonaroMilei: “Histórica elección ante el comunista de Lula”.(abre em nova aba)
- 14Common Dreams · Alarm Grows Over ‘Clearly Illegal’ Trump-Rubio Election Meddling in BrazilCarta dos senadores Shaheen, Kaine e Welch a Rubio: “a campaign of interference and destabilization in Brazil”.(abre em nova aba)