10/ 17Rachadinhas
Queiroz escreveu que recolhia parte dos salários. Flávio diz que não sabia.
Em 2019, Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj, disse por escrito ao MP-RJ que recolhia parte dos salários de outros assessores do gabinete para pagar mais ajudantes informais de base eleitoral, e que Flávio não sabia[1]. Flávio foi denunciado em 2020[2]; a denúncia foi rejeitada em 2022, sem julgamento do mérito, depois que os tribunais anularam as provas[3].
6 dez. 2018 · Relatório do Coaf sobre a conta de Queiroz
O Coaf apontou R$ 1,2 milhão movimentados de forma atípica na conta do assessor de Flávio, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017. Entre os registros, um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro.[4]
7 dez. 2018 · Jair Bolsonaro, presidente eleito, sobre o cheque
Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. […] Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa.[5]
mar. 2019 · Fabrício Queiroz, por escrito, ao MP-RJ
Queiroz disse que recolhia parte dos salários de outros assessores para pagar ajudantes informais, pela “multiplicação dos assessores de base eleitoral”. Escreveu que Flávio não sabia.[1]
18 jun. 2020 · Atibaia (SP), imóvel do advogado de Flávio
Queiroz foi preso num imóvel de Frederick Wassef, advogado de Flávio. Em 2019, Wassef dissera ao menos duas vezes que não sabia onde Queiroz estava.[6]
25 ago. 2020 · Reunião no Planalto, segundo a PF
Diante de Jair Bolsonaro e de advogados de Flávio, o diretor da Abin, Alexandre Ramagem, disse ser necessário um procedimento contra auditores da Receita “visando anular a investigação”.[7]
nov. 2020 · MP-RJ, sobre o gabinete de 2007 a 2018
Flávio, Queiroz e mais 15 pessoas foram denunciados por peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa[2]. A denúncia seria rejeitada em 2022, sem julgamento do mérito.[3]
dez. 2020 · Relatório da Abin; a defesa confirmou, o GSI negou
defender FB no caso Alerj[8]
nov. 2021 · STJ (9 nov.) e STF (30 nov.)
O STJ anulou as decisões do juiz de primeira instância: Flávio tinha foro no TJ-RJ[9]. O STF invalidou quatro relatórios do Coaf e as provas do MP-RJ contra ele.[10]
16 maio 2022 · Órgão Especial do TJ-RJ
A denúncia foi rejeitada “por falta de justa causa”, a pedido do próprio MP-RJ, porque as provas tinham sido anuladas. O mérito nunca foi julgado.[3]
6 abr. 2026 · Flávio Bolsonaro, no podcast Inteligência Ltda.
Ele falou que tinha pessoas que ele contratou e que cobrava uma parte do salário, e colocava no papel que eu jamais tinha conhecimento disso.[11]
O primeiro relatório do Coaf, enviado espontaneamente, foi o único que o STF manteve válido[10].
O assessor
O que Queiroz escreveu
Fabrício Queiroz era Assessor Parlamentar III no gabinete de Flávio na Alerj, além de PM, motorista e segurança dele[4]. Em 2019, disse por escrito ao MP-RJ que recolhia parte dos salários de outros assessores para pagar ajudantes informais: a “multiplicação dos assessores de base eleitoral”[1].
Escreveu também que Flávio não conhecia “a arquitetura interna do mecanismo que criou” e que agiu pela “confiança e da autonomia que possuía”[1]. Em 2026, Flávio repete essa versão: ele não sabia[11].
O cheque
R$ 24 mil ou R$ 40 mil
O Coaf apontou R$ 1,2 milhão movimentados na conta de Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, valor “incompatível” com seu patrimônio e sua renda[4]. Foi o único relatório do Coaf no caso que o STF manteve válido[10].
Entre os registros, um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro[4]. Jair Bolsonaro, então presidente eleito, disse que foram R$ 40 mil, em dez cheques: a devolução de um empréstimo que fez a Queiroz e não declarou no Imposto de Renda[5].
A Abin
Abin, Planalto e a defesa
Em agosto de 2020, no Planalto, diante de Jair Bolsonaro e de advogados de Flávio, o diretor da Abin, Alexandre Ramagem, defendeu um procedimento contra auditores da Receita “visando anular a investigação”, segundo a PF[7].
Em dezembro, vieram a público relatórios da Abin que orientavam a defesa de Flávio; um diz que seu propósito era “defender FB no caso Alerj”. A defesa confirmou a origem; o GSI negou[8]. No inquérito da “Abin paralela”, a PF indiciou Ramagem e Carlos Bolsonaro; Flávio não foi indiciado[12].
O desfecho
Denúncia rejeitada, mérito nunca julgado
Flávio foi denunciado em 2020; a defesa disse que a acusação era “desprovida de qualquer indício de prova”[2]. Em 2022, a pedido do próprio MP-RJ, a denúncia foi rejeitada sem julgamento do mérito, porque as provas tinham sido anuladas[3]. O STF chamou a investigação do MP-RJ de “fishing expedition”[10]. Em 2025, Gilmar Mendes manteve o arquivamento e disse que as anulações não impediam nova denúncia[13].
Queiroz e sete ex-assessores do gabinete são réus numa ação de improbidade de 2023; Flávio não[14]. Contra ele, a parte cível prescreveu[15]. Flávio diz: “nunca respondi criminalmente por isso”[11]. Em 25 de outubro, ele pede o seu voto.
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Referências15 fontes
- 01Gazeta do Povo · Queiroz diz que recebia salário de outros assessores para ampliar base de Flávio BolsonaroA declaração escrita de Queiroz ao MP-RJ: a “multiplicação dos assessores de base eleitoral” e que Flávio não sabia.(abre em nova aba)
- 02Agência Brasil · MP do Rio denuncia 17 investigados por lavagem de dinheiro e peculatoA denúncia de 17 pessoas, entre elas Flávio e Queiroz, os crimes, o período e a resposta da defesa.(abre em nova aba)
- 03Agência Brasil · Justiça do Rio arquiva processo de caso de supostas rachadinhasO Órgão Especial do TJ-RJ rejeitou a denúncia por falta de justa causa, a pedido do MP-RJ, após a anulação das provas.(abre em nova aba)
- 04Diário do Nordeste · Coaf relata movimentação atípica de ex-assessor de Flávio BolsonaroR$ 1,2 milhão movimentados por Queiroz em 2016–2017, o cheque de R$ 24 mil e o cargo de Queiroz.(abre em nova aba)
- 05Agência Brasil · Dinheiro para Michelle foi quitação de empréstimo, diz Jair BolsonaroA explicação de Jair Bolsonaro: R$ 40 mil em dez cheques, devolução de empréstimo não declarado.(abre em nova aba)
- 06CNN Brasil · Queiroz foi preso em imóvel de Frederick Wassef, advogado de Flávio BolsonaroA prisão de Queiroz em Atibaia, no imóvel de Wassef, e o que Wassef dissera em 2019.(abre em nova aba)
- 07Exame · ‘Abin paralela’: investigação descobriu áudio entre Bolsonaro e Ramagem para proteger FlávioA reunião de 25 de agosto de 2020 e o que Ramagem disse sobre os auditores, segundo a PF.(abre em nova aba)
- 08Poder360 · Abin produziu relatórios para ‘defender Flávio Bolsonaro’ no caso QueirozOs relatórios da Abin (“defender FB no caso Alerj”), a confirmação da defesa e a negativa do GSI.(abre em nova aba)
- 09Conjur · STJ anula atos de juiz contra Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhasO STJ anulou as decisões do juiz de primeira instância por incompetência (foro no TJ-RJ).(abre em nova aba)
- 10Conjur · Supremo anula relatórios do Coaf sobre Flávio BolsonaroO STF anulou quatro relatórios do Coaf e as provas do MP-RJ contra Flávio; manteve o primeiro, espontâneo; “fishing expedition”.(abre em nova aba)
- 11Estado de Minas · Flávio quer abordar ‘rachadinha’ na pré-campanha e nega irregularidadesAs falas de Flávio no podcast Inteligência Ltda., em 6 de abril de 2026.(abre em nova aba)
- 12CNN Brasil · Abin Paralela: PF confirma atuação de Bolsonaro e indicia Ramagem e CarlosA PF indiciou Ramagem e Carlos Bolsonaro; Flávio não foi indiciado.(abre em nova aba)
- 13InfoMoney · Gilmar nega recursos e mantém arquivado caso das “rachadinhas” de Flávio BolsonaroGilmar Mendes manteve o arquivamento; as anulações não impediriam nova denúncia.(abre em nova aba)
- 14ICL Notícias · MP-RJ obtém nova quebra de sigilo de ex de miliciano e ex-assessores de Flávio BolsonaroQueiroz e sete ex-assessores são réus na ação de improbidade de 2023; Flávio não é réu.(abre em nova aba)
- 15ICL Notícias (Folhapress) · TJ-RJ negou tentativa de retomada do caso ‘rachadinha’ contra Flávio BolsonaroO procedimento cível contra Flávio foi arquivado por prescrição.(abre em nova aba)