25/ 33Dívida pública
Japão, EUA e Itália devem mais que o Brasil. Ninguém fala em colapso.
A dívida pública brasileira é alta e merece atenção. Mas os países mais ricos do mundo devem mais, em proporção ao PIB[1], e o nível de hoje já foi superado em 2020, no governo Bolsonaro[2].
Dívida bruta do governo, em proporção ao PIB
Dívida bruta do governo geral · % do PIB · FMI · escala linear com zero
- Japão206,5%
2025[1]
- Itália137,1%
2025[1]
- EUA123,9%
2025[1]
- França116,0%
2025[1]
- Canadá113,5%
2025[1]
- Média dos ricos108,0%
2025[1]
- Reino Unido102,3%
2025[1]
- Brasil93,3%
2025[1]
- Alemanha62,9%
2025[1]
Estimativa do FMI para 2025, com o mesmo critério para todos os países. Pelo critério do Banco Central, que não conta os títulos em poder do próprio BC, a dívida brasileira é menor.
Ver os números em tabela
| Governo | Valor | Período |
|---|---|---|
| Japão | 206,5% | 2025 |
| Itália | 137,1% | 2025 |
| EUA | 123,9% | 2025 |
| França | 116,0% | 2025 |
| Canadá | 113,5% | 2025 |
| Média dos ricos | 108,0% | 2025 |
| Reino Unido | 102,3% | 2025 |
| Brasil | 93,3% | 2025 |
| Alemanha | 62,9% | 2025 |
Medida
Como se mede uma dívida
Dívida se mede em relação à renda do país, não em reais por pessoa. Pela conta do FMI, o Brasil deve 93,3% do PIB, abaixo da média das economias avançadas (108%). Fica acima da média dos emergentes (73,9%), e isso merece atenção[1]. Por habitante, a dívida dos EUA passa de US$ 111 mil; a do Japão, de US$ 74 mil; a do Brasil fica perto de US$ 10 mil[1].
Hoje a dívida está em 82,56% do PIB, pelo critério do Banco Central. Entre outubro de 2020 e abril de 2021, no governo Bolsonaro, ela ficou acima disso, com pico de 87,66% em outubro de 2020[2].
Juros
O que faz a dívida crescer
Em 2026, até agosto, a dívida subiu 4,2 pontos do PIB. Os juros acrescentaram 6,5 pontos, e o crescimento da economia tirou 3,6[3]. A Selic está em 13,75% ao ano[4].
Em 12 meses até agosto, a conta de juros chegou a R$ 1,18 trilhão, 8,86% do PIB. O déficit primário, a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta antes dos juros, foi de R$ 82 bilhões, 0,62% do PIB[3].
Credores
A quem o Brasil deve
Quase toda a dívida federal, 96,25%, é interna e está em reais. Os títulos estão com instituições financeiras (31,2%), fundos de previdência (22,6%) e fundos de investimento (22,5%). Investidores estrangeiros têm 9,9%, e quem compra pelo Tesouro Direto, 3%[5].
Histórico
O que Lula já fez
Nos dois primeiros mandatos de Lula, o setor público teve os maiores superávits primários da série, de 3,5% e 2,8% do PIB em média[6]. A dívida líquida caiu de 59,9% do PIB em 2002 para 38% em 2010[7].
Em dezembro de 2005, o Brasil quitou antecipadamente os US$ 15,5 bilhões que ainda devia ao FMI[8]. Em 2008, pela primeira vez, o país passou de devedor a credor externo[9]. No terceiro mandato, as contas fecharam com déficit pequeno, de 0,4% do PIB em 2024 e em 2025[6].
O número da dívida é real. O colapso é só uma história, e o medo também pede voto.
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Referências09 fontes
- 01FMI · World Economic Outlook, abril de 2026: dívida bruta do governo geral (% do PIB)Dívida em % do PIB em 2025 por país e grupo; com PIB em dólares e população, a dívida por habitante.(abre em nova aba)
- 02Banco Central · Série 13762: dívida bruta do governo geral (% do PIB)82,56% em julho de 2026; pico de 87,66% em outubro de 2020; acima disso até abril de 2021.(abre em nova aba)
- 03Gazeta Mercantil · Dívida bruta do governo chega a 82,9% do PIB em agosto, mostra Banco CentralJuros +6,5 pontos e PIB −3,6 em 2026; juros de R$ 1,182 tri e déficit primário de R$ 82,1 bi em 12 meses.(abre em nova aba)
- 04Banco Central · Histórico das taxas de jurosSelic em 13,75% ao ano.(abre em nova aba)
- 05Tesouro Nacional · Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, agosto de 2026Dívida interna 96,25% da federal; detentores dos títulos.(abre em nova aba)
- 06Banco Central · Série 5793: resultado primário do setor público consolidado em 12 meses (% do PIB)Superávits de 2003 a 2010; déficits de 0,40% em 2024 e 0,43% em 2025.(abre em nova aba)
- 07Banco Central · Série 4513: dívida líquida do setor público (% do PIB)59,93% em dezembro de 2002 e 37,98% em dezembro de 2010.(abre em nova aba)
- 08Banco Central · Relatório de Inflação, março de 2006Quitação antecipada de US$ 15,5 bilhões, o restante da dívida com o FMI, em dezembro de 2005.(abre em nova aba)
- 09InfoMoney · Principais notícias: Brasil torna-se credor externo com saldo de US$ 4 bi positivoPela primeira vez, o Brasil passou de devedor a credor externo, em janeiro de 2008.(abre em nova aba)